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Por motivo de espaço mudamos para o endereço: http://cinemahistorias.zip.net/
Escrito por Cinéfilo às 15h07
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Filme: Histórias Cruzadas
 O racismo é um problema que infelizmente ainda existe nos dias de hoje, apesar de no Brasil s coisas acontecem de modo camuflado. A discussão sobre o assunto, a educação e principalmente as leis, fizeram que este preconceito fosse hoje considerado um ato abominável. O livro “A Resposta” (já editado no Brasil) da norte-americana Kathryn Stockett trata desde assunto, sobre como era o relacionamento entre patroas brancas e suas empregadas negras no sul dos EUA, na década de 60. Ela, que nasceu na região, se inspirou em conversas que teve com as empregadas da sua mãe e após recusas de alguns editores, o livro se tornou campeão de vendas por lá. Um de seus grandes amigos é o ator Tate Taylor (de “Inverno da Alma”), que estava iniciando na carreira de roteirista e diretor. Este último então decidiu adaptar a história para o cinema como “Histórias Cruzadas” (The Help), que além de campeão de bilheteria, recebeu inúmeros prêmios do SAG (Sindicato dos Atores dos EUA), incluindo melhor elenco. Eugenia Phelan (Emma Stone de “Amor a Toda Prova”), apelidada de Skeeter, é uma jovem que depois de estudar jornalista decide retornar a sua cidade natal e consegue um emprego no jornal local, na sessão de in formações para o lar. Como nada entende do assunto, pede a sua amiga Elizabeth Leefolt (Ahna O'Reilly de “Ressaca de Amor”) que sua emprega, Aibileen Clark (Viola Davis de “Confiar”), possa ajuda-la a responder as dúvidas das leitoras. Mas aos poucos vai percebendo que o tratamento que estas empregadas recebem de suas patroas são recheados de preconceito, as tratando como pessoas de “segunda” classe. Enquanto isso, Celia Foote (Jessica Chastain de “A Árvore da Vida”) tenta interagir com as mulheres da cidade, mas é rechaçada, por ser de fora e ter se casado grávida com um dos melhores partidos locais, Johnny (Mike Vogel de “Namorados Para Sempre”). Já Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard de “Além da Vida”), após descobrir que sua empregada Minny Jackson (Octavia Spencer de “O Solista”) usou seu banheiro, a despede. Sendo Celia a única que a aceita para trabalhar. Vendo tudo isso, Skeeter decide escrever um livro onde as domésticas relatam sua vida, seus sofrimentos e sonhos. O roteiro é feito para emocionar, cheio de situações que provocam lágrimas, entremeados por partes cômicas. Bem esquemático, tudo é feito de modo calculado para que as cenas causem algum tipo de impacto. Não existe sutileza nas falas e atitudes dos personagens, quem é bom, é bom e os maus só ficam piores a cada cena. Os negros são vistos como pacatos, dóceis, com raras exceções. E mesmo aqueles que são mais explosivos, tem um “coração de ouro” e são excepcionais trabalhadores. Até o penteado (comandado por Camille Friend de “72 Horas”) de Emma Stone é diferente das demais, para não ter dúvida de quem é a heroína da história. Já a direção de arte e cenário, a cargo de Curt Beech (de “Agente 86”) e Rena DeAngelo (de “A Condenação”) respectivamente, fazem com que possamos nos ambientar com uma época não muito longe da nossa, mas que não permitia aos negros nem usarem o mesmo banheiro dos brancos. Uma das poucas áreas onde o filme se sai bem, além do competente elenco. Viola Davis é uma artista que consegue melhorar a cada trabalho, mostrando uma capacidade de interpretação impressionante, já que incorpora o personagem de modo magistral. Na cena em que fala do filho morto ou corre durante a noite para chegar logo em casa, demonstra com poucas palavras toda a dor e o desespero de quem sabe que sua vida vale muito pouco. Acostumou-se a ser como se fosse um objeto. Mas em um drama assim, a parte cômica é que mais se destacou, principalmente Octavia Spencer que faz uma doméstica que recusa a abaixar a cabeça e paga o preço por isso. Mas mesmo assim, ainda tem resquícios de submissão, como na cena em que Jessica Chastain decide lanchar na mesma mesa que ela. Esta última faz muito bem a maioria de suas cenas, mostrando como ser o “objeto estranho” da cidade. Somente na cena do baile beneficente que fica um pouco forçada. Já outro destaque é a pequena mas hilária participação de Sissy Spacek (de “Segredos de um Funeral”) como a mãe da vilã. Com bastante ironia, arranca inúmeras gargalhadas.
Escrito por Cinéfilo às 05h49
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Filme: Os Descendentes
 George Clooney vai se afirmando como um dos maiores astros do cinema da atualidade, sendo muitas vezes um grande chamariz nas produções em que atua. Desde que despontou na televisão como o Dr. Doug Ross no seriado “ER – Plantão Médico”, tem demonstrado um trabalho mais consistente, em diversas áreas da indústria cinematográfica. Em 2002 estreou na direção com “Confissões de Uma Mente Perigosa” e em 2005 como roteirista no filme que também dirigiu, “Boa Noite e Boa Sorte”. Aliás 2005 foi um ótimo ano, já que também levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Syriana - A Indústria do Petróleo” de Stephen Gaghan. Ele sempre navegou entre filmes comerciais e outros nem tanto, mas sempre com atuações no mínimo corretas. Agora é a figura central no filme do cineasta Alexander Payne (de “Sideways - Entre Umas e Outras”), que se baseou no livro homônimo, já publicado no Brasil, da escritora Kaui Hart Hemmings, “Os Descendentes” (The Descendants). Matt King (George Clooney) é um advogado que tem entre seus descendentes um missionário e uma princesa havaiana, o que faz com que sua família seja proprietária de uma grande extensão de terra no arquipélago. Mas as coisas não estão indo bem na sua vida pessoa, pois sua mulher Elizabeth (Patricia Hastie) sofreu um grave acidente de lancha e está em coma no hospital. Sobrou para ele, que nunca foi muito presente em casa, cuidar das duas filhas, Scottie (Amara Miller) e a adolescente problemática Alexandra (Shailene Woodley). Para piorar, esta última está se relacionando com Sid (Nick Krause de “ExTerminadoras”), um adolescente que não pensa antes de falar, o que provoca situações nada confortáveis. Como depositário das terras herdadas, tem que decidir juntamente com seus primos a quem vende-las, pois isso pode gerar um bom dinheiro para todos. Ao mesmo tempo que descobre que a esposa estava lhe traindo com o corretor de imóveis Brian Speer (Matthew Lillard de “Em Nome do Rei”), que por sua vez, é casado com Julie (Judy Greer de “Amor e Outras Drogas”). O diretor, que também foi um dos roteiristas em conjunto com os atores Nat Faxon e Jim Rash (que estreiam nessa função no cinema) procura desde o início demonstrar a situação em que se encontram o protagonista, um homem que abraçou a profissão em detrimento a família, viver uma situação nova e totalmente estranha. Em paralelo se discute o fim que se dá a grandes áreas nativas, principalmente devido a voracidade da especulação imobiliária. Apesar de não star explícito no filme, a mãe também não era um primor de dedicação. Tanto eu a filha mais velha se afunda em drogas e nem quando colocada em um colégio interno muda suas atitudes, muito antes pelo contrário, pois se sente desamparada pela sua família. Com planos longos e sem muitas quebras abruptas, Alexander Payne tenta demonstrar como as emoções do personagem de George Clooney vão se formando aos poucos, da descrença, passando pela raiva, decepção, instinto de vingança até chegar a inevitável aceitação, devido a situação em que a esposa se encontra. George Clooney com toda a razão está amealhando prêmios por sua interpretação. Bastante contido, deixa transparecer aos poucos todo o turbilhão de emoções que está dentro dele. A cena em que o namorado da filha faz comentários sobre a traição é um exemplo, de como o arroubo de ódio é logo reprimido, mas você pode sentir sua vontade de socar bastante o rapaz. Matthew Lillard é um dos mais fracos, não consegue demonstrar toda a tensão vivida pelo seu personagem, soando sempre muito artificial. Com um papel que exigia um maior domínio e poder transmitir mais emoções com poucos gestos. Judy Greer já consegue ser bastante natural, na maioria das suas cenas e esmo que escorregue um pouco na última cena que tem no filme, sendo um pouco melodramática, não faz feio, dando conta do recado. Shailene Woodley é uma atriz que tem potencial e deve despontar futuramente. Renascendo das cinzas, Beau Bridges (de “Susie E os Baker Boys”) faz na realidade uma figuração de luxo em um personagem que pouco acrescenta a história.
Escrito por Cinéfilo às 05h38
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Filme: Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
 O escritor e jornalista sueco Stieg Larsson era um polemista nato, sempre expondo suas idéias que incomodavam muitas pessoas. Escreveu várias reportagens denunciando setores reacionários da sociedade, sendo um grande expoente na luta pelos direitos humanos em seu país. Mas sua fama internacional aconteceu quando foi lançado em 2005 o primeiro livro da trilogia “Millenium”, tornando uma best-seller em vários países. Mas não pode saborear o sucesso, pois morreu um ano antes do lançamento, logo após ter entregado os originais na editora, de ataque cardíaco. Em 2009 seu compatriota Niels Arden Oplev levou às telas a primeira parte de sua obra. Mas os estúdios de Hollywood vendo o potencial, também providenciaram outra adaptação para o cinema sob o comando de David Fincher (de “O Curioso Caso de Benjamin Button”), nascendo assim “Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” (The Girl with the Dragon Tattoo). O roteiro foi escrito por Steven Zaillian (de “Gangues de Nova York”). O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig de “Cowboys & Aliens”) após publicar matéria na revista Millennium, da editora Erika Berger (Robin Wright de “A Vida Íntima de Pippa Lee”), foi processado pelo empresário Hans-Erik Wennerström (Ulf Friberg de “Cruel”), sob a acusação de difamação e acaba perdendo a causa. Mas logo depois é contratado pelo milionário Henrik Vanger (Christopher Plummer de “Padre”) para que investigue o desaparecimento de sua sobrinha Harriet (Moa Garpendal) a 40 anos atrás em uma ilha e propriedade da família. Apesar do tempo passado, o milionário acredita que a mente aguçada do jornalista possa descobrir alguma coisa. E acredita, inclusive, que o culpado foi algum membro de sua família. Para ajuda-lo na investigação é também contratada Lisbeth Salander (Rooney Mara de “A Rede Social”), uma hacker que já havia investigado a vida de Mikael a pedido de Dirch Frode (Steven Berkoff de “O Turista”), advogado de Henrik. Os dois aos poucos vão conhecendo vários membros da família, como Martin (Stellan Skarsgård de “Melancolia”), o irmão de Harriet e suas primas Cecilia (Geraldine James de “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras”) e Anita (Joely Richardson de “O Enigma do Colar”). Mas algo muito pior está para vir a tona com as investigações e alguém não quer que isso ocorra. Filmado em grande parte em locação na Suécia, o filme, consegue passar um ar soturno e claustrofóbico, principalmente devido a quase eterna neve que cai naquele país. O diretor soube conduzir a história de modo que os mistérios vãos se avolumando e fazendo crescer as expectativas sobre qual próximo acontecimento. O roteiro soube mostrar muito bem uma família que praticamente todos odeiam todos, nunca se sabe que fala a verdade ou que segredos escondem. Ao mesmo tempo mostra Lisbeth Salander como o elo que quebra tudo isso, com suas roupas, cabelos e piercings. Uma pessoa que como o jornalista Mikael Blomkvist, batalha para conseguir o que quer, ao contrário dos milionários Vangers. A figurinista Trish Summerville (de “Todo Sonho Tem um Preço”) usou cores sóbrias na maioria das roupas, ajudando na composição dos personagens, pessoas fechadas e tristes, como se vivessem em uma prisão interna. O mesmo acontece com a direção de fotografia a cargo de Jeff Cronenweth (de “Clube da Luta”), com tons azulados e uma luz difusa, passa uma sensação de ambiente sombrio, sem ser gótico. A grande revelação do filme acabou sendo Rooney Mara, que nunca havia tido uma oportunidade dessas, já que costumava fazer papeis coadjuvantes. E ela não desperdiça, fazendo uma personagem irrequieta, mostrando que dentro dela acontece uma verdadeira ebulição. Mesmo sem dizer nada, compreendemos que algo muito ruim aconteceu na sua vida e desde então procurou viver a seu modo, sem ajuda de ninguém. Daniel Craig está bem, mas sem grande impacto na sua interpretação. Fazendo de maneira correta um jornalista que foi enganado e agora decide reverter a situação. Sua química com Rooney Mara funciona muito bem, o que faz as interpretações de ambos crescerem. O único que tem um maior destaque é Christopher Plummer. Este veterano ator passa uma dignidade inexistente em grande parte de sua família. Um filme que instigará a todos e que no final, todos conseguem compreender o desenrolar da história, em um desfecho coerente e muito interessante. 
Escrito por Cinéfilo às 11h20
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Filme: Margin Call – O Dia Antes do Fim

Desde o início do ano 2000 já se falava de uma bolha especulativa que estava prestes a estourar nos EUA, pois muitas pessoas pegavam empréstimos acima da capacidade de pagamento. Em 2008 “estourou” a bolha iniciou-se a tão temida crise financeira que acabou se alastrando pelo mundo. Considerado uma das maiores crises da história, perdendo somente para a queda da bolsa de Nova York na década de 30. O Brasil foi pouco afetado, mas na grande maioria dos países, empresas faliram e muitos acabaram perdendo o emprego. Um dos fatos que em teoria desencadearam o problema foi a falência do banco de investimento Lehman Brothers, cheia de títulos que nada valiam. Vagamente inspirado nesta história, o diretor e roteirista J.C. Chandor (estreando em longas-metragens), fez “Margin Call – O Dia Antes do Fim” (Margin Call). A maioria do que se vê na tela é ficção, mas os resultados das ações praticadas é a mais pura realidade e triste realidade. Um grande banco de investimento está fazendo uma reorganização interna, demitindo vários funcionários, entre eles Eric Dale (Stanley Tucci de “Capitão América: O Primeiro Vingador”), Chefe do Departamento de Análise de Risco, eixando o setor a cargo de Will Emerson (Paul Bettany de “Padre”), Chefe de Transações. Com a linha corporativa cortada e sem poder ter acesso a quase nada na empresa, Eric acaba dando um pen-drive a um dos seus subordinados, Peter Sullivan (Zachary Quinto de “Qual Seu Número?”), referente a algumas projeções que estava fazendo. Depois do expediente, mesmo contra os conselhos do seu colega analista Seth Bregman (Penn Badgley de “A Mentira”), decide analisar o conteúdo do pen-drive. Ele leva um susto ao notar que o banco está às portas da falência. Desesperado informa a Will sobre o ocorrido, que reporta a descoberta a seu superior, Sam Rogers (Kevin Spacey de “Quero Matar Meu Chefe”). Inicia assim uma corrida para entender o que realmente aconteceu e como solucionar a questão. Em uma reunião comandada por Jared Cohen (Simon Baker de “O Diabo Veste Prada”), são ouvidas várias sugestões, inclusive da Analista-chefe Sênior, Sarah Robertson (Demi Moore de “Amor por Contrato”). Mas a gravidade impõe que seja avisado o CEO (presidente da empresa) John Tuld (Jeremy Irons, Oscar de Melhor Ator por “O Reverso da Fortuna”), para que ele tome a decisão soberana. Em tese é um drama recheado de suspense, mas peca pelo principal, a compreensão. A frase “Os níveis de volatilidade usam padrões históricos, expansíveis até uns 10-15%” deveria ser uma simplificação do que acontece, mas para a maioria esmagadora das pessoas é nada. Fora das pessoas que trabalham no mercado de ações ou em profissões correlatas, o linguajar usado mais confunde que explica. Você fica sem entender o que se passa na tela e por que o banco está às portas de uma bancarrota. Mas o diretor soube trabalhar outras vertentes e podemos ver também como as pessoas deste “mundo” agem. Pensam somente nelas e na empresa, esquecendo-se das pessoas. Uma cena clara quanto a isso é quando o personagem de Kevin Spacey chora pela morte do seu cão, enquanto mais da metade dos seus subordinados são demitidos. Para ele isso é normal, como se tivesse trocando os móveis do escritório. O CEO de Jeremy Irons, tenta salvar seu banco de qualquer modo, mesmo que isso leve a um colapso global. Todo mundo age sem remorsos, frio, dentro de um suposto “profissionalismo”. A desumanidade é a marca de praticamente todos os personagens, e são muito bem interpretados por um elenco que soube se entregar com garra ao trabalho. Kevin Spacey e Jeremy Irons praticamente dominam as cenas em que aparecem, o primeiro mostra como anos de trabalho fizeram dele um homem que só se preocupa coma empresa, pessoas são exteriormente e ela. Já Jeremy Irons, “cresce” em suas falas, mostrando autoridade, determinação e nenhum caráter. Zachary Quinto é um dos poucos perdidos no meio da história, tentando compreender o que acontece a sua volta, mas lutando para manter o controle como todos que o cercam. Demi Moore é a mais fraca do elenco, não convencendo como a executiva durona. Ao contrário de Jeremy Irons, ela empalidece, some e não mostra grande convicção em suas falas, como se estivesse fora de sintonia com o restante do elenco. Um filme interessante, pena que a total compreensão será para poucos.
Escrito por Cinéfilo às 05h51
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Filme: Precisamos Falar Sobre o Kevin
 Durante muito tempo ouvimos histórias de ex-soldados norte-americanos provenientes do Vietnam que, traumatizados, matavam várias pessoas sem nenhuma lógica. Apesar de ser um fato chocante, era ao mesmo tempo até compreensível diante as atracidades vividas por eles na guerra. Depois começaram a surgir notícias de estudantes, muitos sem nenhum histórico mais grave de agressão, entrar em uma escola e matar colegas e professores. Este assunto é retratado pelo filme vencedor da Palma da Ouro em Cannes 2003, “Elefante” de Gus Van Sant. Mas o que pouco se explorou foi a situação da família do assassino, como é conviver com este pesadelo de ter um filho que comete atrocidades. É sobre isso que “Precisamos Falar Sobre o Kevin” (We Need to Talk About Kevin), filme da escocesa Lynne Ramsay (de “A Viagem de Morvern Callar”), baseado no romance homônimo da escritora norte-americana Lionel Shriver (já editado no Brasil). Eva Khatchadourian (Tilda Swinton, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Conduta de Risco”) vive feliz ao lado do seu marido Franklin (John C. Reilly de “Negócio Fechado”) em uma confortável casa. Até que nasce o primeiro filho do casal. Aos poucos a mãe vai verificando que Kevin (Rock Duer) não é uma criança como as outras, já que parece não ter medo de nada e com um grande poder de manipulação. Aos poucos ela percebe como ele sabe jogar um contra o outro e sempre se sair de vítima. Nasce então mais uma integrante da família, Celia (Ashley Gerasimovich de “Jogo de Poder”). Depois de contar ao filho história de Robin Hood, ele se interessa cada vez mais por arco e flecha, sempre incentivado pelo pai. Kevin (Ezra Miller de “Confusões em Família”) cresce e se torna cada vez mais assustador aos olhos da mãe. Até que um dia o que ela mais temia acontece, o filho é preso e ela começa a se perguntar por que tudo aconteceu. Ela se torna então uma pessoa não grata na cidade, pois era mãe de um assassino frio e calculista. Procura viver normalmente, mesmo sabendo que isso é impossível. A diretora optou por fazer uma narrativa fragmentada, deixando claro desde o princípio que uma tragédia havia se abatido sobre o personagem de Tilda Swinton. Aos poucos vai mostrando o desenvolvimento de um monstro, para o espanto e inércia da mãe, já que não sabe como lidar com aquilo, ou se realmente o que acha é verdade ou pura imaginação. Esta é um dos grandes trunfos do filme, um roteiro muito bem elaborado pela própria diretora em conjunto com Rory Kinnear. Não se procura tomar partido em momento algum da mãe ou da população da cidade, bastante abalada com os acontecimentos, mostrando que cada qual tem suas razões. Assim como no filme “A Órfã”, de Jaume Collet-Serra, o pai nunca consegue perceber o que está acontecendo, deixando este papel sempre para a mãe, que depois do ocorrido, sente culpa e aceita todas as provocações sem reagir, pois em tese, o filho é resultado de sua criação. Um dilema muito bem trabalhado no filme. A grande força do filme é sem dúvidas é Tilda Swinton. Esta várias vezes premiada atriz sabe transmitir ao mesmo tempo a impressão de uma mulher vulnerável e que carrega dentro dela uma fortaleza. Com muitas poucas palavras, mas transmitindo muito com o olhar, consegue transmitir e fazer compreensível todos os sentimentos que a recheiam. Uma das cenas mais emblemáticas é sua saída do tribunal, onde mal consegue andar em linha reta, não só devido a confusão formada, mas por estar ai da atordoada pelos acontecimentos. John C. Reilly faz o contraponto ideal, um pai alegre que sempre tenta ver nos filhos somente o lado positivo. Mas com pouco tempo em tela não permite que desenvolva muito seu papel. Ezra Miller consegue demonstrar toda a frieza escondida entre sorrisos e palavras calmas e doces. É uma situação complicada, pois tem que se transmitir uma imagem onde as atitudes levam a crer sejam o oposto. Mas é auxiliado pelo roteiro, já que em momento algum deixa a dúvida que ele é o vilão da história. Mostrando quase nada, o filme é um drama que em momento algum apela para o grotesco, isso afugentará certamente àqueles que querem ver é sangue. 
Escrito por Cinéfilo às 05h45
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Filme: J. Edgar
 Existem personalidades que são eternamente polêmicas, ainda em vida causam muita controvérsia e depois da morte, as cosias não cessam, vindo a tona todo o momento alguma informação e seu nome novamente aparece na mídia. Um das mais controvertidas personalidades norte-americanas é John Edgar Hoover, que durante 48 anos comandou o FBI, transformando um escritório mal-afamado e com poucos recursos em uma das maiores estruturas policiais do mundo. Ele já havia aparecido, normalmente como coadjuvante, em vários filmes, entre eles “Chaplin” de Richard Attenborough, “Nixon” de “Oliver Stone” e “Inimigos Públicos” de Michael Mann. Agora o premiado cineasta Clint Eastwood (de “Além da Vida”) nos conta com mais detalhes (e muita imaginação), o que seria o dia-a-dia desse homem que detinha enorme poder, inclusive intimidando presidentes, no filme “J. Edgar” (J. Edgar). O roteiro ficou a cargo de Dustin Lance Black (de “Milk - A Voz da Igualdade”). O ainda jovem Edgar Hoover (Leonardo DiCaprio de “Ilha do Medo”) após trabalhar na Biblioteca do Congresso dos EUA, entra para o Departamento de Justiça e mostra que é um empregado eficiente e incansável. Ao mesmo tempo vive com Anna Marie (Judi Dench de “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”), sua mãe, uma mulher amorosa e dominadora, mas que sabe ser implacável quando necessária. No trabalho conhece Helen Gandy (Naomi Watts de “A Casa dos Sonhos”), que após um breve flerte que não levou a nada, torna-se sua secretária até sua morte. Conhece um dia em um bar Clyde Tolson (Armie Hammer de “A Rede Social”), um ex-estudante de Direito, e o convida para trabalharem juntos. É então convidado para assumir o ainda recente FBI e lá começa a colocar em prática sua idéias, como a unificação do banco de dados de impressões digitais e a utilização de modernos métodos de investigação criminal, ainda de visto com desconfiança por alguns. Como o sequestro do filho do aviador Charles Lindbergh (Josh Lucas de “O Poder e a Lei”), causando grande comoção nacional, Edgar Hoover vê a possibilidade de aprovar leis que tanto queria e melhorar a estrutura do seu escritório. O roteirista usou uma técnica já manjada para contar a história, um John Edgar Hoover já idoso dita sua biografia e assim vai repassando os principais fatos de sua vida. O diretor tentou imprimir uma visão imparcial, mas é uma situação difícil, pois mesmo mostrando muitos dos seus defeitos, acaba vangloriando sua vida. Também não se furtou de expor dois fatos que só muito depois de sua morte foi aventado, sua homossexualidade e seu gosto por vestir de mulher (esta última muito rapidamente). A parte de seu relacionamento amoroso ficou em aberto, pois muito do que se comenta hoje sobre ele e é mostrado no filme, não se pode comprovar e fica-se sempre com a pergunta se foi consumado. Já o relacionamento com a mãe é interessante para contrapor a sua personalidade com os subordinados. Mas o pior defeito do filme é ser arrastado, ainda mais para uma produção que dura mais de duas horas. Em momento algum você torce por alguém ou fica na expectativa de saber o que virá a seguir. Chega a um ponto que se pergunta se a projeção vai demorar muito ainda. O trabalho dos montadores habituais do diretor, Joel Cox e Gary Roach (ambos de “Invictus’), possibilitou boas fusões e um filme que apesar de meio confuso, é compreensível. Já a maquiagem de Sian Grigg (de “A Origem”), que acompanha sempre Leonardo DiCaprio foi duramente criticada, pois é bastante artificial. Os atores não parecem se empenhar, a única que está bem é Judi Dench, que faz uma mulher uma mulher do seu tempo, preconceituosa, autoritária, mas ao mesmo tempo, com um grande amor pelo seu filho. Armie Hammer tem um papel complicado, pois sempre foi a sombra de seu chefe e segundo o filme, seu amante. Mas está correto no papel, sem maneirismos, mas deixando transparecer desde o início o fascínio que se transformou em amor, mas devido as posições que ocupam e a moral sexual da época, tudo deve ser na maior discrição. Já Leonardo DiCaprio, faz uma atuação correta, mas sem brilho, como se estivesse dopado, não imprime sentimento nenhum ao personagem. Uma falta grave na composição de alguém que até hoje divide opiniões. 
Escrito por Cinéfilo às 05h41
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Filme: 2 Coelhos
 O preconceito contra o cinema nacional ainda existe e os responsáveis pela publicidade fazem de tudo para atrair os amantes do cinema. Nomes conhecidos da televisão costumam ser o maior chamariz, ou mesmo a transposição para às telas de algum seriado ou novela. A concepção de um filme bom ou ruim é bastante fluída e existe em filmes de todas as nacionalidades. Mas muitas pessoas já se perguntam se podemos colocar todos os filmes produzidos no Brasil em uma única categoria, já que eles atualmente estão cada vez mais diferentes entre si. Se nos primórdios tínhamos comédias simplórias e dramas existenciais, hoje tem desde desenho animado e produções muito bem cuidadas, recheadas de efeitos especiais, normalmente usados só em filmes norte-americanos. Neste último caso temos o mais novo trabalho do ex-publicitário, roteirista e diretor Afonso Poyart (de “Eu te darei o céu”), “2 Coelhos”, que não deixa de ser uma inovação. Edgar (Fernando Alves Pinto de “Nosso Lar”) é um jovem que retornou ao Brasil após passar uma temporada nos EUA. Aqui, ele foi a julgamento por ter cometido um delito de trânsito que resultou na morte na família de Walter (Caco Ciocler de “Família Vende Tudo”), que guarda por ele um indecifrável sentimento. Ao mesmo tempo, Maicom (Marat Descartes de “É Proibido Fumar”), um temível bandido, juntamente com seus comparsas aterroriza a cidade. Apesar de todas as tentativas, das autoridades, sempre acaba escapando, graças a promotora Julia (Alessandra Negrini de “Os Desafinados”), casada com seu advogado Henrique (Neco Villa Lobos de “Salve Geral”). Mas uma denúncia anônima enviada para a promotoria pode mudar toda a situação, pois são provas fortes que o incriminam e certamente o levará a prisão. Aconselhado por Júlia, decide se aliar ao deputado estadual Jader (Roberto Marchese), um notório corrupto que pensa somente em enriquecer ás custas de mutretas mil. Edgar bola um plano que considera infalível, acabar com o bandido e com o político ao mesmo tempo, matando “2 coelhos” com uma cajadada só, como diz o ditado. Para isso une-se ao assaltante Velinha (Thaíde de “Caixa Dois”), que espera sair rico dessa história. Um filme bem diferente do que normalmente se vê nas telas, pois além de um roteiro intricado, exigindo do expectador que preste atenção no que vê na tela, muitas vezes se tem a impressão que se está em um jogo de videogame. Tudo isso graças ao talento do supervisor de efeitos especiais Sergio Farjalla Jr. (de “Como Esquecer”), nos brindando com imagens que mais parecem advindas de filmes norte-americanos, apesar de algumas derrapadas, como a explosão da maleta, onde a fumaça apareceu bem antes do fogo. Como desde o início o diretor optou por uma concepção não realista, os efeitos casam com perfeição. Outro que ajudou e muito neste visual foi o diretor de fotografia Carlos André Zalasik (de “Atlântico Negro - Na Rota dos Orixás”), pois a maioria das cenas é “Câmera na mão”, fazendo com que fosse necessária uma boa iluminação, no intuito de não deixar o expectador tonto, além do uso de muitas cores debotadas e frias. Mas nada disso seria suficiente se não houvesse uma excelente montagem, deixando o filme compreensível, o trio formado pelo próprio diretor, Lucas Gonzaga e André Toledo, conseguiram o que parecia impossível. Fernando Alves Pinto encabeça um elenco bem afinado. O ator consegue passar ao personagem uma ambiguidade, pois se ele se mostra carente, ao mesmo tempo, demonstra ser uma pessoa fria e calculista. Sempre muito contido, com uma voz suave, deixa transparecer uma pessoa que está disposta a tudo para conseguir os seus objetivos. Caco Ciocler já faz um papel mais ingrato, de um homem marcado pela tragédia, com poucas falas e que se revela no final ser bem diferente e deixa uma dúvida sobre o que se passa em sua cabeça. Talvez o personagem pior construído pelo roteiro. Marat Descartes, um ator pouco conhecido, é a grande revelação no papel de vilão sanguinário. Normalmente rouba as cenas em que aparece, mesmo não precisando “esmurrar mesas” ou fazer outros gestos de efeitos. Alessandra Negrini tem um papel correto, mas não se destaca. Mesmo nas cenas em que seu subconsciente o coloca em um jogo mortal com criaturas estranhas. Um filme que agradará aos fãs de videogame e também quem quer algo que foge dos padrões do cinema atual. 
Escrito por Cinéfilo às 08h56
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Filme: Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras
 O diretor sempre teve altos e baixos na sua carreira cinematográfica, que por sinal não é das mais prolíferas. Enquanto foi aplaudido por “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, foi malhado incansavelmente quando realizou “Destino Insólito”, estrelado pela sua ex-esposa, Madonna. Em 2009 decidiu dar vida ao famoso detetive da Baker Street no filme “Sherlock Holmes”, onde o apresentava a nova geração. Foi um sucesso absoluto, chegando a dar ao protagonista, Robert Downey Jr., o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia. Não era de se estranhar que uma sequencia estaria a caminho e eis que chega agora às telas, “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras” (Sherlock Holmes: A Game of Shadows”), com roteiro do casal Michele e Kieran Mulroney (de “Tempo de Crescer”). Os dois últimos, praticamente neófitos na função, já que ele se dedicou a carreira de ator. Desta vez eles resolveram introduzir o mais famoso vilão criado por Sir Arthur Conan Doyle, Professor James Moriarty. Vários acontecimentos estranhos abalam a Europa, morte de nobres e pessoas influentes, atentados a bomba. A maioria da população imagina que se trata de algum grupo terrorista ou mesmo alguma nação querendo incitar uma guerra. Mas o mais famoso e inteligente detetive londrino, Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.), não concorda. Após seguir Irene Adler (Rachel McAdams de “Meia-Noite em Paris”), sua incontida paixão, acaba praticamente confirmando suas suspeitas, quem está por trás disso tudo é o Professor James Moriarty (Jared Harris de “O Curioso Caso de Benjamin Button”). Um gênio do crime que precisa ter seus planos descobertos e detidos. Enquanto isso, seu fiel amigo e parceiro, Dr. John Watson (Jude Law de “Contágio”), esta para casar e decide ter uma noite de “despedida de solteiro”. Mas a única pessoa que Holmes convida é seu irmão Mycroft Holmes (Stephen Fry de “V de Vingança”). Na taberna está a misteriosa cigana Simza Heron (Noomi Rapace de “A Menina Que Brincava Com Fogo”), que esta a procura de seu irmão desaparecido. Após uma fracassada tentativa de assassinato, Holmes decide agir o mais rápido possível. O diretor fez uma opção deliberada no filme: ação, muita ação. Mostra um Sherlock Holmes que em detrimento ao pensamento, a inteligência, usa a sua habilidade física. Inclusive acaba dando a ele um poder que até então não se conhecia, a clarividência, tentando passar por intuição. O ritmo ágil que está presente em todo o filme, deve-se ao trabalho do montador James Herbert (de “Matadores de Vampiras Lésbicas”), que imprimiu um estilo ágil, sem ser confuso, dosando bem os cortes. Fazendo com que a história fosse contada sem que seja necessário mostrar longas cenas explicativas. Outro que fez um trabalho acima de média é o diretor de fotografia Philippe Rousselot (de “Leões e Cordeiros”), que com um trabalho de luz bem feito, conseguiu fazer o filme ficar com um ar soturno, mas ao mesmo tempo, jovial. Sem que a escuridão tomasse conta da tela e não permitisse ver o que lá acontecia. Já Sarah Greenwood (de “O Solista”), soube recriar com sua direção de arte, um passado incerto, mas com toques de atualidade, já que a história, em tese, acontece às vésperas da Primeira Grande Guerra. As atuações são bastante irregulares. Stephen Fry parece que está em uma festa e se entrega ao papel sem muita preocupação, o que de todo não é mal, já que seu personagem nada mais é que um figurante de luxo. Mas como sempre foi um bom ator, mesmo assim tem uma interpretação que não destoa das demais. O mesmo não e pode dizer de Jude Law, que mesmo repetindo o papel, não encontrou o tom ideal e faz um Watson sem muito brilho. Muitas vezes fica perdido em cena, como se faltasse um diretor para explicar como deveria agir em certos momentos. Jared Harris tem uma interpretação contida, bem próxima ao que se imagina seria a de um “Gênio do crime” e não decepciona. Com frases pausadas e deixando transparecer que pensa sempre muito antes de falar, constrói um vilão que estaria disposto a tudo para alcançar seus objetivos. Já Robert Downey Jr., que esteve muito bem no filme original, sabendo maneirar sua atuação, agora desistiu de se controlar e colocou para fora todos seus excessos. 
Escrito por Cinéfilo às 06h21
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Filme: A Separação

O cinema iraniano sempre foi ovacionado, mas estava fora dos circuitos mais badalados há algum tempo. Agora retorna em grande estilo, vencendo prêmios importantes como o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro 2012, além do Urso de Ouro de Melhor filme, melhor ator e melhor atriz no Festival de Berlim em 2011, e prêmios menos badalados como o de Melhor Filme no 8º Amazonas Film Festival de 2012. O filme iraniano “A Separação” (جدایی نادر از سیمین) deu a seu diretor e roteirista Asghar Farhadi (de “À Procura de Elly”) uma merecida consagração em seu segundo trabalho. Mas as premiações podem aumentar, já que concorre a Melhor filme Estrangeiro no BAFTA 2012 e pode ainda estar entre os cinco finalistas do Oscar e sair da festa com a cobiçada estatueta. Considerado pela crítica uma verdadeira obra-prima, provocou reações nada entusiasmadas do governo iraniano, pois trata de assuntos que ainda são tabus naquele país e se disse preocupado com a imagem que o filme anda passando. Simin (Leila Hatami) quer a separação do marido, Nader (Peyman Moadi), pois pretende passar uma temporada no exterior e ele não quer acompanha-la. Ele alega que seu idoso pai (Ali-Asghar Shahbazi), portador do mal de Alzheimer em estado avançado, não pode ficar abandonado e a filha de ambos, Termeh (Sarina Farhadi), não quer ir com a mãe. Para resolver a situação, ele contrata uma mulher, Razieh (Sareh Bayat), para que fique com seu pai enquanto estiver trabalhando. O problema é que Razieh esta grávida, trabalha escondido do marido, Hodjat (Shahab Hosseini), e como é seguidora fiel dos mandamentos do islã, não pode tocar em nenhum outro homem a não ser seu marido, dificultando seu trabalho com um idoso que não a obedece e precisa ser auxiliado em tudo. Ao chegar em casa certo dia, Nader depara com seu pai amarrado e inconsciente devido a uma queda da cama e o apartamento sem mais ninguém. Quando Razieh chega, inicia-se uma discussão onde a tensão fica cada vez mais forte. Nesta confusão acontece um imprevisto o que leva todos os envolvidos a uma espiral de acusações, silêncio sobre certos assuntos e mentiras. O roteiro é uma verdadeira aula de como envolver o espectador, as situações vão se acumulando e faz com que todos fiquem na expectativa de saber o resultado, mas tudo dentro de uma “normalidade”, sem nada que provoque reviravoltas mirabolantes ou qualquer outro artifício para capturar a atenção. Em momento algum se tenta dar respostas fáceis para os diversos questionamentos apresentados, inclusive, é difícil tomar um partido, já que todos os envolvidos em maior ou menor grau mentem e tentam manipular o delegado, interpretado por Babak Karimi. Interessante é ver como a justiça de lá é bem diferente da nossa, com menores sendo interrogados sem a presença de ninguém que os acompanhe, e depois largados dentro da delegacia. Não existe advogados ou defensores públicos e as investigações praticamente não existem, os litigantes que levantam as questões e chamam a polícia para fazer uma “reconstituição”. Mas ao mesmo tempo, as relações interpessoais que se apresentam no filme demostram que certos sentimentos são universais. A direção soube conduzir com maestria os atores, principalmente Peyman Moadi e Sareh Bayat, que travam diálogos acalorados e eletrizam com suas interpretações bastante naturalistas. Enquanto Peyman Moadi faz de tudo para escapar de um problema, com isso manipula a filha e quem mais for preciso, Sareh Bayat a todo momento mostra ser uma mulher desesperada, jogada no meio de uma confusão e que já se sente punida por ter cometido “pecado”, além de sentir a reprovação do marido. Leila Hatami faz uma mulher dividida, que só quer dar fim a confusão reinante e proteger sua filha adolescente do escândalo, não se importando se para isso questões importantes sejam deixadas de lado. Em um ambiente racional, Shahab Hosseini destoa ao fazer o único que deixa os sentimentos aflorarem e por isso faz tudo ficar bem pior. Consegue não partir para o exagero, coisa que facilmente aconteceria com um ator menos talentoso e um diretor displicente. Um filme que merece todos os prêmios que ganhou e merece ser visto.
Escrito por Cinéfilo às 05h46
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Filme: As Aventuras de Tintim
 O cartunista belga Georges Prosper Remi, mais conhecido como Hergé, criou em 1929 um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos, Tintim. Um repórter pós-adolescente que vive pelo mundo investigando mistérios, sempre ao lado do seu fiel cachorro Milu. Principalmente na Europa, faz um grande sucesso até hoje, chegando a ter também ser personagem de desenho animado. Quando do lançamento do filme “Os Caçadores da Arca perdida” de Steven Spielberg, muitos jornalistas comentaram sobre a semelhança entre o arqueólogo Indiana Jones e o Tintim. O diretor então resolveu conhecer o personagem e se apaixonou, iniciando aí uma intrincada negociação para que pudesse leva-lo às telas de cinema. Hergé gostou da ideia e deu seu apoio e permissão, mas faleceu antes de vê-la consumada. Com a ajuda de Peter Jackson (de “Um Olhar do Paraíso”) na produção e na sua empresa Weta Digital, Spilberg finalmente apresenta “As Aventuras de Tintim” (The Adventures of Tintin). Tintim e seu cão Milu passeiam por uma feira de antiguidades e ele vê um galeão antigo, que tem em sua proa um unicórnio. Apaixona-se pela peça e decide compra-la, mas logo em seguida um homem misterioso chega com a mesma intenção. Ele rechaça a oferta, mas outro comprador aparece, Ivan Ivanovitch Sakharin, um homem sem escrúpulos que fará de tudo para por as mãos nesta peça rara. Mas antes de ter seu barco roubado, Tintim descobre uma misteriosa mensagem que estava escondida no mastro e a guarda na carteira. Porém é furtado por um famoso cleptomaníaco que está na mira dos detetives Dupond & Dupont. As confusões, entretanto, só estavam só começando, pois Tintim é sequestrado e levado para um navio, sendo seguido por Milu. Lá encontra o capitão Haddock, um bêbado marinheiro que teve a sua tripulação posta contra ele. Titim e seu novo amigo tem que descobrir o plano do vilão e fazer de tudo para impedi-lo. Utilizando a técnica de “motion capture”, onde todos os movimentos do personagem são capturados pelo computador e a imagem é colocada posteriormente, o diretor utilizou atores famosos para dar vida aos principais personagens e posteriormente dublá-los na versão em inglês. Tintim teve como modelo Jamie Bell (de “A Conquista da Honra”), Sakharin foi Daniel Craig (de “A Casa dos Sonhos”) e o capitão Francis Haddock, Andy Serkis (de “Planeta dos Macacos: A Origem”). A história é bem movimentada e procura apresentar ao público os personagens principais, chegando a ser didática no início. Mas é uma situação complicada, já que o personagem principal não tem vida íntima, colocando em primeiro plano sempre o lado profissional. Por isso, na primeira parte, o filme é menos movimentado, onde Tintim coloca seu lado detetivesco em ação. Já a partir do meio, as coisas se tornam bem mais movimentadas, com uma sucessão de acontecimentos. A parte técnica é irretocável, inclusive foi merecido o prêmio de Melhor Desenho Animado no Globo de Ouro 2012. A composição procura ser o mais fiel possível ao que se vê nas HQ. E a técnica utilizada permitiu que eles tivessem movimentos muito mais realistas do que se fossem criados completamente digitais. Uma das poucas exceções quanto a isso é o cachorro Milu, que mais parece um clone canino do seu dono. Seu espírito intrépido continua sendo representado muito bem, um personagem que não se abate com as dificuldades e vai sempre em busca da verdade. Aliás, este é outro problema do filme, Tintim é mostrado de maneira unidimensional, sempre como um herói que beira a perfeição. São poucos os sentimentos que o personagem apresentando durante a projeção, raramente fica feliz ou mesmo triste, sempre apresentando um semblante de curiosidade. Mas para aqueles que são fãs nada disso é importante, já que a história acaba envolvendo a todos. 
Escrito por Cinéfilo às 08h53
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Filme: A Hora da Escuridão
 O mais importante de um filme não é sua originalidade, mas sim como a história é conduzida. Como entretém a plateia de modo que todos fiquem tocados de algum modo pelo que se passa na tela, já que alguns temas são utilizados a exaustão. Um exemplo são os filmes que retratam “invasões alienígenas”. Desde o pior filme da história, “Plano 9 do Espaço Sideral” de Ed Wood, passando pelo besteirol “Marte Ataca!” de Tim Burton, até superproduções como “Guerra dos Mundos” de Steven Spielberg e a picaretagem “Skyline - A Invasão” de Colin Strause e Greg Strause, todos beberam na mesma fonte. Agora o diretor de arte Chris Gorak (de “Toque de Recolher”) na sua segunda incursão pela condução de um filme apresenta mais uma invasão em “A Hora da Escuridão” (The Darkest Hour), com roteiro de Jon Spaihts (estreando na função). O filme não apresenta nenhuma estrela no elenco, mas em compensação arrebata em seu visual e no modo de contar a história.Sean (Emile Hirsch de “Milk - A Voz da Igualdade”) e Ben (Max Minghella de “A Rede Social”) são dois programadores que vão a Moscou tentar vender uma de suas ideias, mas ainda no avião são surpreendidos por uma tempestade elétrica. Chegando lá, descobrem que Skyler (Joel Kinnaman de “O Cavaleiro Templário”), o pretenso comprador pirateou descaradamente a ideia e obviamente não quer mais fazer negócio. Desolados, vão a um bar esquecer as mágoas e lá encontram duas compatriotas, Natalie (Olivia Thirlby de “Sexo Sem Compromisso”) e Anne (Rachael Taylor de “Imagens do Além”), iniciando um bom papo. O que não esperavam era que acontecesse um blecaute e ao saírem a rua, deparam com luzes brilhantes que caem do céu. Trata-se de uma invasão alienígena e quando a luz toca as pessoas os transforma em pó. Sem entender direito o que está acontecendo, o quarteto tenta escapar da morte certa e ficam vagando por uma cidade que não conhecem. Acabam encontrando Sergei (Dato Bakhtadze de “O Procurado”) e Vika (Veronika Ozerova), dois russos, sendo que o primeiro que aparentemente descobriu como deter os alienígenas e assim possibilitar que possam ter alguma esperança. O diretor soube trabalhar bem seu elenco, já que os personagens principais, apesar de serem fracos, conseguem passar credibilidade nas cenas em que aparecem. Todos se comportam sem os exageros típicos deste tipo de filme. Demonstram medo e apreensão, mas também agem com dentro de uma lógica que rege os acontecimentos. Soube fazer o filme ir crescendo a medida que passa o tempo, fazendo com que todos fiquem na expectativa para saber o que virá adiante. Não apresenta sustos súbitos, uma técnica batida, fazendo com que a tensão aconteça naturalmente. Inclusive com mortes de personagens importantes, quebrando o paradigma que “os mocinhos” saem sempre ilesos de todos os perigos. A direção de arte, a cargo de Valeri Viktorov (de “Guardiões da Noite”) e Ricky Eyres (de “Contágio”), soube construir uma Moscou destruída e deserta, um verdadeiro deserto urbano, que com tomadas do alto, realçam ainda mais o sentimento de solidão dos personagens. Os efeitos visuais, supervisionados por Brian Cox (de “As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada”), são simples, mas apresentam um bom resultado, principalmente na concepção dos extraterrestres. A dupla central combina bem, apesar de utilizarem o “perfil divergente”, com um mais responsável e outro mais doidão. Emile Hirsch com seu estilo despreocupado é que mais rouba a cena, mas todos os personagens apresentam algum momento de “brilho” durante a projeção. Max Minghella faz o rapaz certinho, mas sem ter a pecha de chato, mostra ao amigo seus devaneios sem querer ser o dono da verdade. Rachael Taylor e Olivia Thirlby ao contrário do que acontece nos filmes deste tipo, não saem gritando e se metendo em apuros até que alguém as salve. Mostram que tem personalidade e apesar de se mostrarem frágeis, também se mostram decididas quando o perigo se apresenta. Um filme que os fãs do gênero vão curtir bastante e vale o valor do ingresso. 
Escrito por Cinéfilo às 05h46
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Filme: Cavalo de Guerra
 As duas guerras mundiais foram palco de muita dor e destruição. Inúmeras perdas puderam ser contabilizadas, desde em número de pessoas, como material e obviamente, causaram muitos traumas. O cinema obviamente aproveitou o máximo que pode estes conflitos para produzir filmes que iam da comédia ao drama, passando pela aventura. A Primeira Grande Guerra foi menos utilizada, talvez por não ter um vilão do quilate de Hitler, mas mesmo assim filmes como “Sem Novidades no Front” de Lewis Milestone. O escritor inglês Michael Mopurgo escreveu em 1982 um livro eu contava a história de um cavalo que acabou sendo usado para puxar artilharia durante o primeiro conflito mundial. Em 2007 foi adaptado para o teatro, primeiro em Londres, depois fez carreira na Broadway. A partir daí a história ganhou mais adeptos até que o cineasta Steven Spielberg (de “Guerra dos Mundos”) decidiu levar a história para as telas, com roteiro de Lee Hall (de “Billy Elliot”) e Richard Curtis (de “Simplesmente Amor”). Ted (Peter Mullan de “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1”) e Rose Narracott (Emily Watson de “Almas à Venda”) são pequenos agricultores que vivem com muita dificuldade em uma terra arrendada. Um dia Ted compra um cavalo que deveria servir para arar a terra, mas devido a seu porte, todos desconfiam que não conseguirá fazer isso. Mas por insistência de seu filho Albert (Jeremy Irvine estreando no cinema) que se afeiçoa ao animal e lhe dá o nome de Joey, acaba deixando ele fazer uma experiência, que verifica-se vitoriosa. Mas a primeira guerra tem início e as dificuldades retornam, obrigando Ted a vender o animal ao capitão Nicholls (Tom Hiddleston de “Meia-Noite em Paris”), mesmo contra a vontade do filho. Este último quer se alistar, mas não tem idade. Nicholls acaba morrendo na França, o que leva Albert ao desespero, pois quer seu cavalo de volta. Enquanto isso Joey fica aos cuidados do jovem soldado alemão Gunther (David Kross de “O Leitor”). Mas os rumos da guerra tornam-se cada vez mais complexos e Joey mais uma vez muda de mãos, indo parar nas terras de um velho agricultor (Niels Arestrup de “O Escafandro e a Borboleta”), que vive com sua neta Emilie (Celine Buckens). E novas reviravoltas acontecem, mas aí Albert realiza seu desejo e torna-se combatente na guerra. O livro era um material típico do diretor, uma história cheia de lances dramáticos em que se podia usar toda sua técnica para emocionar a plateia. É um filme em que a verdadeira estrela é o cavalo, pois é a sua história que se segue. São inúmeros personagens passando, mostrando que na realidade a guerra ceifa inúmeras vidas deixando nas pessoas nada mais que a saudade. Mas o problema maior é exatamente este, dar um foco maior na “emoção” em vez dela acontecer naturalmente na história. A trilha sonora mais uma vez ficou a cargo de John Williams, que fez um belo trabalho, mas longe das que fez para filmes que lhe valeram seus 5 Oscar e ficaram no imaginário popular como “E.T.” e “A Lista de Schindler”, ambos de Spilberg. Quem também se destaca no filme é a bela fotografia, a cargo de Janusz Kaminski (de “Munique”). Conseguiu um belo trabalho com a luz, fazendo com que o filme se torne nítido mesmo nas cenas que representam a noite. Mas a bela paisagem ajudou bastante. Steven Spielberg apesar de não ser conhecido como um “diretor de atores”, consegue manter um bom nível do grande elenco que está no filme, começando por Jeremy Irvine. Apesar de muitas vezes tender para o melodramático, consegue convencer como um rapaz apaixonado pelo seu cavalo. Tem uma atuação bastante irregular, sendo que no final do filme está bem melhor que no início. Emily Watson é outra atriz que costuma brilhar e roubar a cena nos papéis que interpreta. Dá uma dimensão humana a seu personagem, seja quando tem que enfrentar o marido, ou consolar o filho. É uma das poucas que foge dos estereótipos e se consegue enxergar nela uma pessoa real. Peter Mullan tem uma interpretação desastrosa, praticamente sem expressividade. Isso fica latente ainda mais por interagir no filme a maior parte do tempo com Emily Watson. Seus diálogo são monocórdicos, como se estivesse recitando algo, sem nenhuma emoção. Um filme bom, porém bem aquém do que o diretor já fez. 
Escrito por Cinéfilo às 05h45
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Filme: Triângulo Amoroso
 No mundo sempre houve quem optasse por ter relacionamentos amorosos pouco ortodoxos, mas isso sempre foi tratado de modo velado ou até mesmo de forma espúria. Hoje em dia, apesar de existir ainda um grande preconceito, pelo menos estes assuntos começam a ser tratados mais as claras. O que seria “normal” dentro de um relacionamento se o que lá ocorre de comum acordo entre o casal? O filme “Tempestade de gelo” do diretor Ang Lee foi um dos que tocaram no assunto. Agora cineasta alemão Tom Tykwer nos apresenta em “triângulo Amoroso” (3), em que escreve o roteiro e dirige, mais uma variante do mesmo tema, mostrando que nos dias atuais a imaginação é o limite. O diretor é considerado um dos maiores expoentes do atual cinema alemão, com obras inventivas, que agradam o público, como em “Corra, Lola, Corra”, apesar de não ter tido uma boa receptividade na adaptação do best-seller de Patrick Süskind, “Perfume - A História de um Assassino”. O casal formado por Hanna (Sophie Rois de “Círculo do Fogo”) e Simon (Sebastian Schipper de “A Princesa E o Guerreiro”), ambos na faixa dos 40 anos, vivem um vida tranqüila, onde a paixão ainda existe, apesar do relacionamento ter caído na monotonia. Enquanto ele tem uma empresa de engenharia de arte, ela é uma apresentadora de televisão. Durante uma palestra, acaba conhecendo o geneticista Adam (Devid Striesow de “Os Falsários”) e começam a se encontrar acidentalmente em outros locais. Entre uma conversa e outra os dois decidem ter um caso amoroso. Já Simon, tem que enfrentar a notícia que a mãe, Hildegard (Angela Winkler de “Danton - O Processo da Revolução”), está com câncer em fase terminal e ele próprio é diagnosticado com o mesmo mal, só que no testículo. Após uma cirurgia bem sucedida e durante o tratamento quimioterápico, decide praticar natação. Lá encontra Adam e depois de um papo vai aos poucos se entregando ao amor homoafetivo. Forma-se aí um triângulo amoroso em nenhum deles sabe do outro. As coisas se complicam quando Hanna descobre que está grávida. O filme pode chocar as platéias mais conservadoras, mas o diretor soube conduzir com maestria um tema delicado e que não cai, em momento algum, na apelação. Nem mesmo nas cenas em que os casais estão na cama. Mostra como o mundo atual tudo é feito de modo impessoal, onde não se sabe praticamente nada do outro. Onde o diálogo entre as pessoas, mesmo casais, é uma coisa rara de acontecer. O personagem de Devid Striesow é nitidamente um homem perdido, em busca de algo que preencha seu vazio existencial. Não se apegando de verdade a ninguém. Mas nem só da situação amoroso trata o filme, pois também o “câncer” é um elemento importante. Mostra como a doença ainda causa medo e apreensão nas pessoas, mas ao mesmo tempo, faz com que se possa refletir e tomar rumos inesperados. Sem contar que é possível ver o trabalho do polêmico Gunther von Hagens e sua “arte anatômica”, onde corpos humanos são “plastificados” e colocados em situações do cotidiano. O trio central se sai muito bem, principalmente Sebastian Schipper, que tem as melhores cenas do filme. Soube fazer uma trabalho contido, mas com muita expressividade, seja na hora em que recebe a notícia que está com câncer e precisa ser operado imediatamente, ou quando sai para beber pela primeira vez com o personagem de Devid Striesow. Mostra toda uma vergonha e ao mesmo tempo curiosidade com um novo mundo que se descortina sobre ele. Como se fosse um adolescente descobrindo o mundo pela primeira vez. O próprio Devid Striesow faz entre risos e elegância, um homem vazio, mostrando que seu trabalho é sua vida e que o restante não se representa nada, sendo inclusive uma pessoa com pouco bagagem cultural. Sophie Rois, o vértice do triângulo, Não se empalidece rente a dupla masculina, mostrando força e determinação de uma mulher vencedora, porém em busca que ascenda nela algo que aos poucos foi se apagando. 
Escrito por Cinéfilo às 06h29
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Filme: As Aventuras de Agamenon – O Repórter
 A turma do Casseta & Planeta nunca deram sorte no cinema, o filme “Casseta & Planeta: A Taça do Mundo é Nossa” de Lula Buarque de Holanda recebeu entusiásticas críticas, mas foi um fracasso de bilheteria. Tentaram mudar a fórmula no trabalho seguinte “Casseta & Planeta: Seus Problemas Acabaram!” de José Lavigne, mas a receptividade não foi das melhores. Desde entãoo grupo tem desenvolvido trabalhos separados no cinema. Claudio Manoel co-dirigiu com Calvito Leal e Micael Langer “Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei” um documentário sobrei o show-man Wilson Simonal. Agora, mais dois componentes, Hubert e Marcelo Madureira, decidem levar às telas (produziram e escreveram o roteiro) um falso documentário biográfico do repórter Agamenon Mendes Pedreira, um personagem criado pela dupla e que tem coluna no jornal “O Globo”. Assim nasceu “As Aventuras de Agamenon – O Repórter”, dirigido por Victor Lopes (de “Língua- Vidas em Português”). Narrado por Fernanda Montenegro (de “Casa de Areia”), é recheado de depoimentos, como os de FHC (de “Quebrando o Tabu”), Jô Soares (de “A Dona da História”), Paulo Coelho e Caetano Veloso, entre outros. Vamos aos poucos conhecendo a história de Agamenon Mendes Pedreira (Hubert), esse misterioso personagem que vive em um carro estacionado à porta do Jornal “O Globo”, onde assina uma coluna semanal. Quando jovem (Marcelo Adnet de “Onde está a Felicidade?”), Agamenon conheceu seu grande amor, Isaura (Luana Piovani de “Família Vende Tudo”), e a seu lado passa por inúmeros momentos de nossa história, já que ele esteve presente em inúmeras eventos, como a Conferência de Yalta, relacionou-se com Eva Braw (Guilhermina Guinle de “Sexo Com Amor?”), a amante de Hitler e entrevistou personalidades do calibre de Mahatma Gandhi. Mostra também sua amizade com o cantor Tom Gilberto (Claudio Tovar de “Dzi Croquetes”), que vive sempre acompanhado de seu violão e de seu pato e suas visitas ao psicoproctologista Jacintho Leite Aquino Rêgo (Marcelo Madureira). Quem tenta entrevista-lo é Pedro Bial, e isso desencadeia uma situação que culminará com um misterioso desaparecimento no final do filme. O roteiro abusa de várias referências a personalidades, fatos marcantes e do cotidiano, sendo que, exigindo que o espectador esteja conectado aos últimos acontecimentos pelo mundo e mesmo um pouco de história mundial. O ex-jogador Ronaldo Nazário é um dos parodiados no filme, sendo retratado a sua ida ao motel com três travestis. Ao contrário do propagado por ele, no filme, se insinua que ele sabia muito bem com quem estava indo e quais eram seus objetivos. Isso permite outra característica do filme, um jogo de duplo sentido, principalmente de teor sexual, que faz a alegria principalmente dos mais novos (a classificação é 14 anos), ficando a dúvida se não houve um equívoco na classificação indicativa. As cenas de Marcelo Madureira são recheadas deste tipo de expressão, com cenas que flertam com a baixaria. A edição ficou um pouco confusa, fazendo com que muitas vezes não se compreenda bem o desenrolar da história. Com uma estética do absurdo, o filme não se leva a sério, o que faz o que piora ainda mais para o espectador mais desatento, que acaba não entendendo nada, não é de admirar que durante a projeção metade da sala saia do cinema. O grande problema é a publicidade que “vende” o filme como uma comédia do “Casseta & Planeta”, que tinha outro tipo de humor, mais político e ascético. Pedro Bial, apesar de ter uma grande importância no desenrolar do filme, está perdido, como se fizesse tudo na base do improviso. Claudio Tovar é outra que se perdeu na interpretação e está artificial, a ponto de perder a graça. Marcelo Adnet está até bem, mas teve que construir seu personagem calcado em Hubert, que faz Agamenon mais velho, o que impede que ele pudesse se soltar mais em sua interpretação. Luana Piovani faz nada mais que uma repetição de seus personagens, mostrando que ela precisa urgente repensar suas escolhas, pois se tornará uma atriz de personagem só. Um filme que é de “amor e ódio”, pois se pode sair de lá rindo bastante ou bem antes do final. 
Escrito por Cinéfilo às 08h46
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